06/01/2011

Prova para docente em SP tem 20% de erros



Percentual se refere às questões para professor temporário de ciências; para educação física, foram 13 erradas entre 80

Itens errados serão considerados corretos, o que deve aumentar o número de professores aprovados nessas áreas


TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO

A prova aplicada para professores temporários da rede estadual de São Paulo no final do ano passado teve até 20% das questões com erros na elaboração.

Cerca de 161 mil professores fizeram a avaliação, segundo a Secretaria Estadual de Educação. Os aprovados se tornam aptos a lecionar durante este ano letivo.

Professores de psicologia (que podem lecionar na área de ciências, por exemplo) tiveram 16 das 80 questões do teste erradas. De educação física, 13; de sociologia, 5; e de ciências físicas e biológicas e de matemática, 4 cada.

Todos os outros 18 tipos de prova, no entanto, tiveram duas questões da prova de formação básica erradas.

Essas questões serão consideradas corretas, o que deve aumentar o número de docentes considerados aprovados nessas áreas.

Isso porque para ser aprovado o candidato precisa ter acertado ao menos 40 questões das 80 da prova. Quem tiver 32 acertos e pelo menos cinco anos na rede também será aprovado porque os oito pontos faltantes são completados pelo tempo de serviço.
Assim, o professor de psicologia que tiver cinco anos de trabalho só precisará ter acertado outras 16 questões. E o de educação física, 19.
"Isso torna a avaliação desproporcional. Vamos conversar com o governo sobre isso", afirma Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp (sindicato dos professores de São Paulo).

As provas foram aplicadas pela Fundação Carlos Chagas, que recebeu do governo R$ 7,8 milhões para um "pacote" de avaliações -além da prova para os professores temporários, a avaliação aplicada na última etapa do concurso para a contratação de professores e a prova de promoção por mérito -que determina o aumento que será dado aos docentes.

Os professores temporários podem escolher as aulas que sobram após a escolha dos professores efetivos. No ano passado, eles correspondiam a 46% do total da rede.

Secretaria diz que erros não invalidam prova

DE SÃO PAULO

A Secretaria Estadual de Educação afirmou que o grande número de questões erradas não invalida a seleção, pois "as provas poderiam ter sido aplicadas com número menor de questões", mas não entrou em detalhes.

O órgão disse também que aguardará o posicionamento da Fundação Carlos Chagas para explicar o porquê do grande número de questões erradas na avaliação.
A Folha procurou a fundação no início da tarde de ontem, mas foi informada no final do dia que ninguém do órgão se pronunciaria.
Segundo uma secretária, o responsável estava viajando e o e-mail com os questionamentos da reportagem havia sido encaminhado para que a Secretaria de Educação respondesse.
A pasta também não explicou o porquê da decisão de considerar as questões corretas, ao invés de anulá-las. Disse apenas que, depois de análise, decidiu-se que essa opção era a que menos prejudicava os candidatos.
As questões erradas foram apontadas por professores participantes da prova. Eles enviaram à Fundação Carlos Chagas recursos contestando as alternativas dadas.

Logo depois da prova, os questionamentos já eram discutidos em blogs e sites voltados para professores.

A resposta aos questionamentos só foi publicada anteontem no "Diário Oficial".
A prova foi aplicada no último dia 5 de dezembro. A aprovação dos professores na prova é determinante para a escolha das aulas.

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