30/07/2009

Mãe não vai conseguir trabalhar

30/07/2009
Gilberto Yoshinaga do Agora

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A prorrogação das férias escolares para evitar a proliferação da gripe suína pode trazer problemas para mães que não têm com quem deixar seus filhos.
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A volta às aulas, que estava agendada para a próxima segunda-feira, foi adiada nas redes municipal e estadual. Com esta decisão, as aulas só deverão ser retomadas no dia 17 de agosto.
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A mudança preocupa a dona de casa Maria de Lurdes de Souza, 48 anos, moradora do Jardim Iracema, no Campo Limpo (zona sul de SP). Com seis filhos em idade escolar, incluindo uma criança que exige cuidados especiais, ela fica impedida de trabalhar como diarista durante as férias escolares.
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"Para mim é muito bom quando estão todos estudando, porque consigo ficar despreocupada e fazer minhas coisas", diz ela, que vive com uma renda mensal de R$ 465. O marido, desempregado, faz bicos como encanador. "Mas só de vez em quando ele consegue algum serviço", lembra.
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A filha mais velha de Maria tem 15 anos e é portadora de deficiência mental. Ela estuda em uma escola especial em Taboão da Serra (Grande SP). Além dela, a dona de casa tem mais três filhas, de sete, dez e 11 anos, e dois filhos, um de quatro e outro de nove anos. Duas crianças estudam em escolas municipais e três, em escolas estaduais.
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"É muito difícil quando todos estão em casa, porque eles ficam brigando ou bagunçando. Não consigo nem deixar a casa arrumada", conta a dona de casa, ao lembrar que a filha de 11 anos ajuda a cuidar dos demais.
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"Eu queria que tivesse escola em período integral para todos", diz. Maria afirma que seu desejo está distante. "Nem creche para o caçula eu consegui. Pedi uma vaga quando ele tinha um ano e não consegui. Agora ele já está com quatro anos e vai na escolinha."
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